Mariana e Brumadinho, lágrimas na chuvaVista área de Brumandinho.

 Rompimento de uma barragem é fato gravíssimo, que ele aconteça duas vezes, no período de 3 anos, sob o protagonismo duma mesma empresa (SAMARCO mineração S/A) e na mesma região (Minas Gerais) é acontecimento inaceitável. Saibam, a ruina deste tipo de estrutura, no campo da engenharia, só pode acontecer quando houver erro de projeto, execução mal realizada ou numa operação e manutenção não adequadas.  Fora de tais preceitos, apenas fenômenos naturais ou sabotagem podem justificar a ruptura desta obra hidráulica de contenção. Portanto, a tragédia ocorrida em Brumadinho, com suas sombrias consequências econômicas, sociais e ecológicas, não foi acidente. Houve falta grave de controle, e por ela há responsáveis que precisam responder. Nestes acontecimentos, estamos observando empreendimentos de mineração que envolvem centenas de milhões de Reais, desenvolvidos por uma empresa das dimensões empresariais da Samarco Mineração, portanto, é licito esperar um detalhamento cuidadoso na concepção da engenharia e apurada compatibilização ecológica. A garantia de qualidade da operação mineradora e a minoração dos impactos ambientais são necessidades mínimas a serem exigidas para o licenciamento da exploração mineral. Mariana e Brumadinho representam provas cabais do desinteresse, por parte da empresa e dos governos que permitiram sua instalação de operação em condições tão inconfiáveis. Infelizmente, o Brasil passou décadas submerso numa gestão -a todos os níveis- irresponsável, cujo pagamento fazemos agora, levando à morte centenas de pessoas, contaminando mananciais de água, aniquilando animais, contaminando solo e destruindo negócios. Mais uma trágica e sofrida lição para o povo brasileiro conhecer a realidade. Lágrimas na chuva.
JR Vilhena





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